Crítica | The Institute

The Institute (2017)

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The Institute (2017)

Quando não se é nada, não se sente nada.

James Franco está em todas e um de seus mais recentes projetos é The Institute, onde Franco não só estrela, como também co-dirige, ao lado de Pamela Romanowsky e produz. O filme também traz um elenco interessante, composto por alguns nomes bem conhecidos do público, como Josh Duhamel e Tim Blake Nelson, assim como algumas participações de Eric Roberts, Lori Singer e Pamella Anderson.

Como se isso não fosse atrativo o bastante, The Institute é inspirado na história real do Rosewwod Center, um hospital psiquiátrico fundado no final do século XIX e localizado nos arredores de Baltimore, que se tornou palco de um verdadeiro escândalo em 1937 quando surgiram denúncias de que a equipe e os médicos estavam vendendo pacientes aos seus benfeitores para os mais diversos fins. É exatamente nesse período de tempo entre a fundação da clínica e as denúncias que se passa a nossa história e os mais curiosos vão gostar de saber que toda a sequência de abertura é montada com notícias da época sobre o verdadeiro Rosewood.

O ano é 1893 e Allie Gallerani interpreta Isabel Porter, uma jovem dama que tem se comportado estranhamente após a morte de seus pais e que, mesmo contra a vontade de seu irmão Roderick (Joe Pease), é aconselhada pelo Dr. Torrington (Eric Roberts) a um período de convalescência no Instituto Rosewood. A moça ficará aos cuidados do Dr. Cairn interpretado por James Franco e, como ele mesmo coloca, sua apresentação é um tanto não ortodoxa. Ele simplesmente aparece no meio da noite enquanto Isabel dorme. O médico lhe oferece um tônico para aliviá-la das tensões diárias e sai. Mas não antes de alertá-la sobre os possíveis efeitos colaterais, evidentemente.

Logo no dia seguinte Isabel começa seu tratamento e pouco a pouco começa a desfrutar dos efeitos benéficos de seu período no Rosewood, porém conforme ela evolui, vamos conhecendo mais a respeito do instituto de das intenções escusas que ele esconde.

A principio The Institute dá claros indícios de se tratar de um filme de baixíssimo orçamento, cujo o design de produção se limita basicamente a um prédio antigo e algumas roupas de época, porém é impossível não notar que há algo de experimental em sua composição, mesmo que isso não sirva de atenuante para sua aparência amadora.

O filme definitivamente aborda alguns temas interessantes e que valem a pena ser explorados, como a libertação feminina explícita aqui quando Isabel conta ao Dr. Cairn que os principais sintomas de sua instabilidade são a obstinação e a curiosidade, características que, segundo ela mesma, não são condizentes com as de uma dama da sociedade. E talvez, ainda mais interessante, seja ver como a promessa de uma pseudo liberdade, as pessoas são capazes de se entregar voluntariamente à um processo de lavagem cerebral que as tornará capazes das mais bisonhas atrocidades.

Mas nada disso terá alguma validade caso o espectador não consiga superar a primeira metade de The Institute. O clima amador, a narrativa monótona, diálogos horrendos e algumas atuações sem o menor entusiasmo tem o mesmo efeito estimulante de um dardo de tranquilizante para elefantes. Toda a primeira parte do filme é um verdadeiro teste de paciência enquanto Isabel vai sofrendo os efeitos de sua lavagem cerebral e a situação só fica realmente mais interessante assim que a moça atinge o auge da sua transformação. Ponto para Allie Gallerani que começa o filme de forma preocupante e o termina de forma digna, transmitindo com , na medida do possível,

Ao contrário da história real a trama aqui vai além do simples tráfico humano e mergulha no universo das sociedades secretas e do ocultismo, fazendo várias referências às obras de Edgar Alan Poe. Coincidentemente ou não, é exatamente quando estes conceitos são integrados e se tornam indispensáveis para o desenvolvimento da trama é que o filme de fato fica mais interessante. Talvez não o suficiente para livrar o espectador do estado letárgico imposto pela primeira parte, mas a diferença é notória. A narrativa fica mais ágil e o filme mais sombrio.

As atuações deixam muito a desejar e ninguém parece ter levado muito a produção à sério. James Franco está insosso, Josh Duhamel faz apenas duas aparições como um detetive que nem nome tem e é quase possível ver em seu rosto a vergonha por ter aceitado fazer parte deste filme. Lori Singer interpreta Madame Werner, um personagem tão caricato que chega a lembrar a Madame Varcolac, interpretada por Brooke Shields em Castelo do Medo, um filme para crianças da Disney, onde toda vez que seu nome era mencionado um lobo uivava.

Definitivamente The Institute não é para todos os gostos. Na verdade não é para a maioria dos gostos. Aborda temas interessantes e aqueles que tiverem um pouco de boa vontade até conseguirão se entreter na segunda parte. Mas a primeira metade do filme é realmente um teste de paciência para o espectador. Veja por sua própria conta e risco.

3.8
Fraco

Definitivamente "The Institute" não é para todos os gostos. Na verdade não é para a maioria dos gostos. Veja por sua própria conta e risco.

  • Nota Geral 3.8

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