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Crítica | Rua Cloverfield, 10

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Já não é de hoje e todos sabem que J.J. Abrams e sua produtora, a Bad Robot, adoram um mistério.
É muito interessante ver como o poder da persuasão ao se criar um mistério com poucas coisas para serem mostradas, ou até mesmo para serem discutidas, conseguem gerar uma certa euforia e curiosidade por parte do público, e mais uma vez nestes quesitos, J.J. Abrams se revela um grande mestre.

Quem pensa que o filme do estreante Dan Trachtenberg é uma continuação direta dos eventos de ‘Cloverfield – Monstro‘ poderá se decepcionar com este derivado, onde se foi aproveitada apenas a mitologia criada no primeiro longa.

Passamos a seguir Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que de cara sofre um grave acidente de carro em uma estrada isolada de interior, quando acorda, a mesma se encontra acorrentada dentro de um bunker subterrâneo sob os misteriosos cuidados de Howard (John Goodman), que alega que o mundo sofreu um grande ataque devastador, onde toda a vida do lado de fora foi dizimada por uma substância tóxica. Para complementar, também acompanhamos as loucuras de Emmet (John Gallagher Jr.), que também divide os mesmos pensamentos e teorias de Howard sobre o que causou este ápice do lado de fora do bunker.   E é muito óbvio que o roteiro dos colegas Josh Campbell e Matthew Stuecken irá nos deixar com a pulga atrás de orelha, e brincar com o psicológico de Michelle (e o de todos nós) do que realmente é verdade, e em quem e no que se deve confiar no meio de tantos acontecimentos.

O roteiro constantemente joga revelações em que na maioria das situações é colocada em prova, com isso, a imprevisibilidade ronda nos espaços vazios do misterioso bunker, fazendo com que a causa do caos estabelecido do lado de fora não seja tão assustador comparando-se com o que de fato está lá dentro do próprio abrigo, onde acontecimentos cada vez mais bizarros surgem em ritmo enervante. Seria Howard um assassino compulsivo, ou apenas um ex-militar que sofre de bipolaridade? Será que existe mesmo um mundo tóxico, onde é impossível respirar? E o que tudo isto tem a ver com Cloverfield ou com os eventos anteriores do monstro que abalou Nova Iorque?

É importante sobressaltar, que ‘Rua Cloverfield, 10‘ é um filme totalmente independente de ‘Cloverfield – Monstro’, onde os fatos de ‘Rua Cloverfield’ apenas acontecem em um espaço de tempo muito próximos do filme de 2008. Seria uma imensa bobagem se eu começasse a soltar as minhas teorias (que não são poucas) à respeito das conexões temporais entre as linhas do tempo que foram estabelecidas entre estas duas produções, que se forem bem analisadas, funcionam muito bem de formas separadas. Enquanto Cloverfield de 2008 mostra o caos de forma neutra, ‘Rua Cloverfield, 10’ nos apresenta algumas formas de entendermos com maior profundidade o caos estabelecido e suas consequências, com direito a várias teorias, e claro, o que não faltam nesse filme são teorias, (alguém aqui já teve a ideia de criar um fórum só para juntarem todas as possíveis teorias sobre o que de fato aconteceu?) Se não, esta é a hora!

Eu me sinto obrigado a falar sobre a direção de Dan Trachtenberg, o novato deu um show de direção ao brincar com mistério, psicológico e com o humor da forma mais harmoniosa e imprevisível que se possa imaginar. A relação conturbada e baseada em crescentes desconfianças do trio confinado no bunker, geram cenas muito interessantes e bem construídas, como em uma cena particularmente memorável, em que um jantar e uma troca de palavras astúcias levam a um ápice super bizarro.

Durante toda a projeção o trio se complementa e a cada cena, fica impossível não querer descobrir mais sobre cada um dos confinados, Winstead fica muito bem posicionada como a garota que de “indefesa”, não tem nada. A mocinha consegue passar uma ideia com o olhar e inesperadamente driblar nossos conceitos escapando de grandes enrascadas de forma inteligente e coesa no maior espírito Sigourney Weaver. Goodman dispensa apresentações, e tendo observado alguns trabalhos do ator, pode-se afirmar que de longe, sua performance aqui, se torna espetacular, suas expressões faciais e corporais conseguem transmitir todo o mistério e desconforto em cada uma de suas atitudes, colocando em prova quem realmente é o verdadeiro monstro. Gallagher não fica para trás, e traz consigo todo o alívio cômico ao espaço depressivo e silencioso, trazendo a parte mais humana e sensata. No final, tudo se complementa, assim como a trilha de Bear McCreary, que dá um bom apoio na composição final, e que sobe o tom quando realmente precisa, oscilando tons graves e mais fortes quando a imprevisibilidade do roteiro exige.

No fim, ‘Rua Cloverfield, 10’ se situa em uma galáxia diferente de ‘Cloverfield – Monstro’, onde as comparações e easter-eggs acabam por criar um vínculo e brechas para conexões, o que propositalmente foi pensado como um grande racha-cuca para tentar acalmar os grupos que persistiam há 8 anos consecutivos, enchendo o saco do Sr. Abrams por uma continuação.

9
Muito Bom

Veredito

Comparações à parte, 'Rua Cloverfield, 10' é um ótimo suspense psicológico e tem de tudo e mais um pouco para ser um dos seus filmes favoritos do ano.

  • Nota Geral 9
  • Anônimo

    Esse filme foi muito bom, 1000 vezes melhor que o Cloverfield Monstro espero o 3° filme.

  • Rafael Souza

    Achei esse filme muito foda ;—–; Nunca um filme de suspense me deixou tão apreensivo, esse foi realmente bem envolvente. Sério, meu coração só desacelerou quando ela finalmente pegou a estrada. Quero muito uma continuação com essa atriz, lembro que ela foi protagonista de Premonição 3 :v

    • Anônimo

      Estarei aguardando o 3°