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Crítica | Road Games (2015)

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Road Games é mais um exemplo de uma boa ideia que não deu um bom filme. A trama e os personagens são interessantes, mas a execução é confusa e amadora.

Road Games é uma produção franco-britânica que já estava na minha lista há um bom tempo e que chegou ou Netflix há poucos dias atrás. Então não preciso dizer que assim que vi que o filme estava disponível, botei todo mundo pra fora da sala e fui assistir.

A história — que diga-se de passagem não tem nada a ver com o filme de mesmo nome de 1981, estrelado por Jamie Lee Curtis — é do sul-africano Abner Pastoll, que disse que a ideia surgiu em 2001, enquanto ele viajava pela França e se hospedou em uma mansão sinistra.

O filme abre com um rapaz, Jack, interpretado pelo inglês Andrew Simpson que caminha sozinho por uma estrada deserta no interior da França. O rapaz tenta pegar uma carona para voltar para casa na Inglaterra, mas aparentemente a sorte não está do seu lado. Depois de várias tentativas frustradas e de andar praticamente pela França inteira, o rapaz acaba testemunhando um evento onde conhece Veronique, interpretada por Josephine de la Baume (O Beijo Do Vampiro). Os dois criam uma conexão quase que imediata e decidem seguir viagem juntos pela estrada. Conforme caminham eles vão se conhecendo melhor e Veronique revela a Jack a respeito de um assassino na estrada e que talvez esse seja o motivo pelo qual as pessoas não estejam tão inclinadas a dar carona naquela região. Nesse ponto, a fotografia do filme se torna um do destaques, conforme vai explorando a beleza idílica do interior da França.

Os dois seguem juntos até que finalmente um carro para e lhes oferece carona. O motorista vivido por Frédéric Pierrot, conta a Jack que há uma greve nas balsas em Calais e que será praticamente impossível que ele volte para Inglaterra. Dito isso, o francês oferece aos dois que passem a noite na sua casa com ele e com sua esposa, vivida por Barbara Crampton. O casal então recebe os viajantes e uma série de situações bem esquisitas começa a acontecer.

Conforme o grupo de pessoas vai aumentando, o relacionamento dos personagens vai se dando de uma forma bem surreal. Todos agem como se já se conhecessem há um bom tempo e isso de certa forma acaba dando uma pista que alguém ali não está falando a verdade.

É justo dizer que Road Games é um slow burn, que vai construindo a tensão lentamente, portanto ele passa quase a primeira hora inteira cozinhando o relacionamentos entre esses personagens e cria algumas situações bem estranhas, enquanto tenta deixar o espectador na dúvida sobre o que vai acontecer. Isso inicialmente funciona, porque instiga o mínimo de curiosidade necessário para que o espectador tente descobrir o que está acontecendo.

Além disso alguns personagens bem são interessantes. Especialmente o de Josephine de La Baume e o de Frédéric Pierrot. Infelizmente, o destaque negativo aqui é Barbara Crampton. Recentemente a atriz desempenhou ótimos papéis em filmes como Você É O Próximo e Ainda Estamos Aqui. Mas desta vez a moça está canastrona demais e destoa do resto do elenco. Pode parecer bobeira, mas o idioma desempenha um papel importante no filme e para uma mulher que vive na França, casada com um francês, a moça fala um francês horroroso!

Andrew Simpson vai bem. O seu personagem é um pouco irritante, meio bobo, mas ele vai bem. Como dito acima, a língua têm sua importância na trama e Jack não fala francês muito bem. Determinados diálogos não são traduzidos nas legendas de propósito (creio eu) e, com certeza aqueles, que não sabem a língua vão ficar tão perdidos quanto o personagem. Porém, desde que os quatro começam a interagir, fica claro que a trama está tentando nos esconder alguma coisa e isso aos poucos vai se tornando incomodo, por que as situações vão sendo jogadas na tela com a única preocupação de não revelar muita coisa e o desenrolar fica vazio e confuso.

Na última meia hora, o filme acelera e ganha em intensidade, mas de uma forma bem amadora. A narrativa fica confusa e a montagem dá certos escorregões que fazem o filme destoar do que se vê na primeira parte. Especialmente durante uma cena de perseguição bem no final, que me deixou embasbacado com a falta de preocupação com a continuidade.

Para piorar, conforme o filme se aproxima da conclusão, todo o esforço feito para tentar esconder a reviravolta, só faz com que ela fique mais evidente e todo o impacto da conclusão vai pelo ralo.

Road Games é mais um exemplo de uma boa ideia que não deu um bom filme. A trama e os personagens são interessantes e na primeira metade a cinematografia é um dos destaques. Mas à media que a trama evolui a execução se torna confusa e amadora. Os que desejarem assistir não devem fazê-lo sem esperar muita coisa, pois certamente irão se decepcionar.

4.5
Desaponta

O Veredito

  • Nota Geral 4.5

Road Games é mais um exemplo de uma boa ideia que não deu um bom filme. A trama e os personagens são interessantes e na primeira metade a cinematografia é um dos destaques. Mas à media que a trama evolui a execução se torna confusa e amadora. Os que desejarem assistir não devem fazê-lo sem esperar muita coisa, pois certamente irão se decepcionar.