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Crítica | Invasão Zumbi (2016)

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Mal fiquei sabendo da existência do filme sul-coreano Train To Busan, surgiu a notícia de que ele já estava vindo para o Brasil sob o título de Invasão Zumbi. Com estreia inicialmente prevista para o dia 24 de Novembro o filme acabou chegando por aqui quase um mês depois, no dia 29 de Dezembro e literalmente foi o último lançamento do gênero de 2016. O trailer prometia um filme bem agitado e logo surgiram comentários maravilhosos a respeito da produção. Mas dada a sua origem imediatamente me veio a dúvida na cabeça.

Talvez eu faça alguns inimigos entre os amantes do K-Horror, mas geralmente eu não me dou muito bem com filmes sul-coreanos. Na minha opinião eles tem um ritmo que considero lento e que invariavelmente acaba levando a um uso desnecessário do tempo. Algumas produções, como Bedevilled, de 2010, foram um verdadeiro suplício para mim e até hoje eu não entendo a sua alta avaliação no IMDB e no Filmow.

Porém eu reconheço que temos outros como Eu Vi O Diabo (I Saw The Devil) que são muito bons – Apesar de eu achar que este seria muito melhor se tivesse pelo menos uns 20 minutos a menos.

Mas com Invasão Zumbi chegando na estação foi lançado o desafio. Será que este tal trem para Busan é realmente esse trem bala todo, ou não passa de mais um Ferrorama metido a besta?

O filme basicamente conta história de um grupo de pessoas dentro de um trem indo em direção a cidade de Busan e que se veem presos ali dentro em meio a um apocalipse zumbi. A bordo temos um grupo de personagens interessantes: Um pai relapso e sua querida filha carente de atenção paterna. Um casal à espera de seu primeiro filho, alguns membros de um time de baseball juvenil e um rico empresário.

A trama se desenrola de uma forma na qual inevitavelmente os destinos destes personagens irão se cruzar e eles terão que deixar as suas diferenças de lado para enfrentar um mal maior.

Eu costumo dizer que os coreanos fazem com seus filmes o que os americanos fazem com as séries. Eles estendem um pouco as histórias a fim de desenvolver mais subtramas periféricas e de dar mais profundidade aos personagens e ao fazer isso ganham tempo para queimar. O problema para mim é que, assim como nas séries, esse tempo acaba sendo desperdiçado com coisas que no final das contas não tem a menor utilidade para a trama central a não ser encher linguiça. Curiosamente o filme tem duas horas e confesso que quando me dei conta disso fiquei bem desanimado, pois eu estava certo de que vinha perda de tempo por aí. Mas por incrível que pareça o filme tem um ritmo bem intenso e até certo ponto consistente. A primeira hora e meia você nem sente o tempo passar.

Não dá para negar que Invasão Zumbi lembra muito Guerra Mundial Z. Inclusive a forma como a contaminação é tratada dentro do trem lembra muito o que acontece no filme de Brad Pitt. Não fosse um pequeno pedaço de informação no meio do filme poderíamos muito bem dizer que ele inclusive faz parte do mesmo universo. A forma de agir dos contaminados também é muito similar e vários momentos deixam a impressão de que são apenas desdobramentos de situações de Guerra Mundial Z vistas por outra perspectiva.

Como por exemplo uma cena em que vemos uns garotos andando de skate em um estacionamento, quando um helicóptero passa sobre eles com uma penca de zumbis pendurados. Infelizmente, por tudo que acontece ali, eu não consegui deixar de imaginar que aquela era a aeronave que resgatou Brad Pitt e sua família do terraço do edifício. E isso só para citar um exemplo.

Os efeitos são em sua maior parte criados por computação gráfica e apesar de serem bem perceptíveis, na maioria das vezes são de razoáveis para bons e não incomodam. Mas isso não vai impedir que os mais exigentes reclamem.

Por outro lado o filme também aborda uma questão social muito similar a de outro filme que vimos recentemente: Expresso Do Amanhã. O principal antagonista – além dos zumbis – é um inescrupuloso empresário que tenta usar sua influência para tentar escapar dessa situação com vida. O personagem realmente é daqueles de dar raiva, porém é impossível deixar de notar que para construir a sua crítica social, o filme o transforma em um estereótipo que reflete claramente a concepção que as chamadas “classes menos favorecidas” tem da “elite“. Independentemente disso, o embate não deixa de ser interessante.

Mas… porém, contudo, todavia, entretanto… estamos falando de um filme sul-coreano e faltando aproximadamente meia hora para o final, Invasão Zumbi perde um pouco do ritmo e por cerca de 10 à 15 minutos ele fica bem difícil de assistir. Passada essa fase ele engrena novamente com mais momentos de ação e de tensão que nos levam a uma cena que só pode ser descrita como memorável. Pena que esta é a última coisa de realmente interessante que acontece e, à partir daí, Invasão Zumbi volta seu foco para o drama pessoal novamente e, sendo honesto, de um ponto em diante eu fiquei torcendo pra que o filme chegasse logo ao final.

Eu honestamente não diria que é um dos melhores filmes de zumbi dos últimos anos – dependendo do que você considerar como últimos anos – nem o melhor que eu já vi, especialmente por conta das similaridades com Guerra Mundial Z, mas fora do universo hollywoodiano Invasão Zumbi definitivamente é um que merece destaque.

O filme é repleto de ação e tem momentos sensacionais, tem bons efeitos e para um filme coreano tem um ritmo bem consistente. Isso não impede que Invasão Zumbi ignore seu DNA e desperdice um pouco do seu tempo com um drama que para mim sempre é exagerado. Mas como eu sei que tem muita gente que gosta de seus filmes cobertos com melado, eu posso assegurar que essa galera vai amar o filme.

7
Interessante

Veredito

  • Nota Geral 7

O filme é repleto de ação e de momentos sensacionais, tem bons efeitos e para um filme coreano tem um ritmo bem consistente. Isso não impede que Invasão Zumbi perca um pouco do seu tempo com um drama que para mim sempre é exagerado. Mas como eu sei que tem muita gente que gosta de seus filmes cobertos com melado, eu posso assegurar que essa galera vai amar o filme.