Crítica | Enjaulada

Pet (2016)

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Um festival de reviravoltas que pecam pela falta de impacto.

Pet estreou lá fora há apenas alguns meses atrás, então vocês podem imaginar a minha surpresa ao me deparar com o filme já disponível gratuitamente em VOD* no Brasil, com o título de Enjaulada.

O filme teve uma divulgação razoável lá fora e apresenta como principal atrativo a presença do ex-hobbit e hoje apresentador de programa de vida selvagem Dominic Monaghan, no papel de Seth, um rapaz retraído e praticamente sem maiores ambições na vida, que trabalha como cuidador em um abrigo para animais. Nada deixa mais em evidência a personalidade de Seth do que o momento em que o veterinário do estabelecimento lhe oferece a oportunidade de salvar a vida de uma cadela com a qual o rapaz se identifica, dizendo que ele pode levá-la para casa. Se você quer alguma coisa, você deve pegá-la! Mas Seth apenas responde que seu prédio não aceita animais e assiste pacatamente a morte do animal.

Um dia no ônibus ele se depara com a bela Holly, vivida por Ksenia Solo, uma antiga colega de escola de Seth. Encantado com os dotes físicos da moça, não demora muito para que ele passe do modo pobre coitado sem noção para o modo stalker perseguidor da madrugada.

Determinado, o rapaz vasculha todas as redes sociais de Holly e praticamente descobre tudo a respeito de seus gostos e de seus lugares favoritos. Munido de todo esse conhecimento, Seth começa a fazer algumas aparições surpresa nos lugares frequentados pela jovem, sempre insistindo em uma oportunidade para levá-la para sair. Porém suas investidas são sempre rechaçadas. A situação não fica nada agradável para Holly que, além de manter anotações em seu diário, também confidencia seus temores a sua amiga Claire (Jennette McCurdy).

Porém em uma determinada noite as coisa vão longe demais e Holly finalmente confronta Seth. O problema é que na confusão a moça perde seu diário e este vai parar nas mãos de seu perseguidor, que o toma como um ‘Pequeno Manual Para Entender Holly‘ e o estuda com afinco. À partir daí Seth começa a persegui-la pelas ruas à noite, até que em uma delas, invade a casa de Holly e lhe injeta uma substância que a coloca para dormir.

Quando Holly recobra seus sentidos já é tarde demais. A jovem está devidamente Enjaulada.

O filme parte de uma premissa que não é muito nova e o final certamente lembra muito uma outra produção amada pelos fãs do gênero – que por razões óbvias não direi qual é. Toda essa primeira parte em que Seth fica obcecado por Holly vai preparando lentamente o terreno de Enjaulada, levando o espectador em uma direção que parece a mais comum em filmes de terror envolvendo vítimas em cativeiro. Mas depois que Seth coloca Holly em sua gaiola, os dois se vêem em um jogo psicológico e as coisas mudam bastante de figura.

O roteiro de Jeremy Slater (O Quarteto Fantástico, The Exorcist – a série) nos surpreende constantemente com uma série de reviravoltas que, pouco à pouco, vão impulsionando a trama e geram interesse suficiente para manter o espectador preso até a conclusão. Algumas são surpreendentes, mas conforme vão se sucedendo, é impossível deixar de notar que a falta de impacto deixa claro que o diretor Carles Torrens (Apartamento 143) não conseguiu – ou não quis – tirar proveito delas. De certa forma, isso acaba influenciando negativamente a percepção final de Enjaulada, pois com poucos minutos fica cada vez mais evidente a direção em que estamos indo.

À partir daí, tem-se a impressão de que as consequências do embate entre os dois protagonistas estão sendo atiradas na tela e em sua maioria pecam pela falta de sentido lógico. Especialmente no último terço, quando Seth – no que talvez seria mais uma reviravolta – muda da água para o vinho e num piscar de olhos começa a tomar uma série de decisões tão absurdas que além de idiotizar o personagem, tiram totalmente a credibilidade de Enjaulada.

O enredo ainda contém alguns personagens extremamente estereotipados, que com pequenos ajustes poderiam ser completamente retirados da trama sem causar nenhum tipo de estrago, como o Detetive Meara (Sean Blakemore), por exemplo. O personagem não acrescenta nada ao enredo e não passa de um truque barato que leva o espectador do nada a lugar nenhum.

Dominic Monaghan vai muito bem e, mesmo quando está no modo stalker, não é aquele tipo de personagem que ganha a antipatia do público. Porém, muito disso se deve à incapacidade do ator de transmitir a sensação de que de fato é uma ameaça. Já Ksenia Solo oscila muito. A moça é bastante convincente na primeira parte, enquanto está sendo perseguida por Seth. Mas depois que é aprisionada e é obrigada a entrar no jogo, entrega uma atuação bem caricata e isso acaba depondo muito contra a atriz.

Enjaulada surpreende mas tem suas falhas. Definitivamente vai além do que está na sinopse, trabalha bem a questão das reviravoltas e, principalmente, o modo em que Seth e Holly aos poucos vão sendo apresentados ao espectador. Porém, dá suas forçadas de barra aqui e ali e é daquele tipo em que a trama poderia se desmantelar toda se, por exemplo, logo no começo Holly desse queixa na polícia. Mas no geral é um filme interessante que vai deixar impressões diferentes em cada um. Vale a pena conferir para tirar as próprias conclusões.

*Filme disponível para assinantes Telecine no NOW da NET, ou no Telecine Play.

5.5
Interessante

Um filme interessante, porém com falhas. Vale a pena conferir para tirar as próprias conclusões.

  • Nota Geral 5.5

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