Crítica | Don’t Hang Up

Don't Hang Up (2017)

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Don't Hang Up | Crítica

O problema de uma premissa que já foi utilizada várias vezes é que certamente ela já foi feita uma forma muito melhor antes.

Essa máxima não vale apenas pela questão técnica. É pela questão do impacto. O novo trabalho tem que ser inventivo o suficiente para pelo menos trazer alguma coisa nova para o jogo em vez de nos empurrar goela abaixo tudo aquilo que já vimos diversas vezes em filmes como Quando Um Estranho Chama e Por Um Fio. E esse, infelizmente, não é o caso de Don’t Hang Up.

São 3:23 horas da manhã e o telefone toca na residência da Sra. Kolbein (Sienna Guillory). Ela atende ainda grogue de sono mas logo fica em estado de alerta quando a voz do outro lado se identifica como um policial. Ele pede que ela mantenha a calma e não saia de seu quarto, pois existe um possível invasor em sua residência. Preocupada com a segurança de sua filha, a mulher desesperada tenta sair, mas a polícia insiste para que não faça isso e pede que ela se tranque ali dentro. Segundo a polícia a casa está cercada e eles irão invadir. A Sra Kolbein entra em pânico e é exatamente nesse mesmo momento que a voz do outro lado do telefone avisa: “Isso foi um trote!”

Aparentemente esse é o passatempo preferido de Sam, Brady, Roy e Mosley, um grupo de garotos que encontra satisfação passando trotes pelo telefone enquanto os gravam em vídeo para carregá-los em seu canal online prankmonkey69. Mas por mais bem sucedidos que sejam em suas traquinagens, no âmbito pessoal as coisas não estão indo muito bem para Sam (Gregg Sulkin). O rapaz enfrenta um a crise em seu relacionamento com Peyton (Bella Dayne) su namorada que recentemente mudou o status da relação em um tipo de simulacro de Facebook para “em dúvida“. Com seus pais viajando e sozinho em casa, Sam está evidentemente abalado e em seu auxílio chega Brady (Garrett Clayton) que decide animá-lo da única forma que acredita ser a mais estimulante: passando trotes.

Os rapazes se divertem por algumas horas até que o telefone toca e o estranho do outro lado da linha, auto denominado Mr. Lee, imediatamente os ordena que não desligue o telefone, caso contrário tanto as suas vidas, quanto as das pessoas próximas a eles estarão em sério risco.

Vamos ser honestos. Pelo menos uma vez na vida alguém já passou um trote, ou já se divertiu ouvindo algum trote em alguma gravação, mas tudo tem um limite e no caso desses garotos as barreiras do aceitável já foram rompidas há muito tempo.

Consequentemente, o principal problema de Don’t Hang Up são seus protagonistas. Para que o público tema pelos personagens em um filme de terror é necessário que ele desenvolva qualquer tipo de empatia e para isso é preciso que haja alguma identificação. Porém – a não ser que você seja um troll idiota – isso é praticamente impossível, pois Don’t Hang Up nos traz um conjunto de personagens simplesmente detestáveis e o efeito é justamente o contrário. Conforme a trama se desenrola, as ações de Sam e Brady os tornam ainda mais deploráveis e não será surpresa nenhuma se o espectador se pegar vibrando com alguma manobra do Mr. Lee.

Visto por outro ângulo, isso é uma prova do trabalho convincente do elenco. Gregg Sulkin e Garrett Clayton atuam praticamente sozinhos o tempo todo, interagindo com o telefone enquanto tentam descobrir uma forma de impedir que Mr. Lee leve a diante seu plano impondo seu jogo psicológico.

Porém o roteiro de Joe Johnson esbarra em um problema recorrente em produções que se propõem a abordar uma temática já explorada à exaustão e não consegue trazer nenhuma novidade para o gênero. Ao invés disso, usa e abusa de velhos clichés que deixam a trama absurdamente previsível e apela para uma série de situações claramente retiradas de Jogos Mortais. O que seria ótimo se, infelizmente, Don’t Hang Up se posicionasse melhor dentro das suas pretensões. Embora o jogo psicológico criado por Mr. Lee ainda seja capaz de gerar alguma tensão e curiosidade suficientes para levar o espectador até o final, o filme fica perdido entre o thriller de telefonema e o torture porn e acaba não sendo nenhum dos dois.

Don’t Hang Up parece promissor e embora cumpra seu papel e não chegue a ser um desperdício de tempo, infelizmente se contenta em nos apresentar mais do mesmo enquanto aposta em personagens incapazes de despertar qualquer empatia. Um filme que pode fazer diferença para os mais novos no gênero, ou para aqueles que buscam passar o tempo assistindo alguma coisa. Mas no final das contas é apenas outro título na sempre crescente lista de filmes para ver e seguir em frente.

4.8
Mais do Mesmo

Don't Hang Up parece promissor e não chegue a ser um desperdício de tempo, apenas se contenta em nos apresentar mais do mesmo

  • Nota Geral 4.8

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