Crítica | ‘Anjos da Noite: Guerras de Sangue’ (2016)

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É impossível assistir ‘Anjos da Noite‘ sem perceber as fortes influências vindas de ‘Matrix’, das irmãs Wachowski, que coincidentemente lançaram o capítulo final da trilogia no mesmo ano em que a ascensão de Selene pairou sobre as telas de cinema. É é claro que isto não quer dizer que os filmes não possuem a sua própria identidade visual, a sua própria voz.

O filme foca na guerra entre Vampiros e Lycans (lobisomens), que há muito tempo travam uma interminável batalha. Após ser traída por seu próprio clã, Selene (Kate Beckinsale) vive exilada, se escondendo tanto dos Lycans quanto dos Vampiros, que conspiram contra sua sombra. Mesmo assim, Selene está disposta a acabar de vez com a interminável guerra entre Lycans e Vampiros que é travada há séculos. Como nem tudo são flores, os Lycans agora possuem um novo líder, Marius (Tobias Menzies), que só alcançará o poder supremo através do sangue da filha hibrida de Selene. Porém, ela não faz a mínima ideia do paradeiro da filha, que por razões um pouco óbvias, não quis ficar por perto da mãe. Com a ameaça de um novo ataque, a nova líder dos Vampiros não mede esforços para deixar as antigas rivalidades para trás, e trazer Selene de volta ao clã, para ajudar os demais a se defenderem da ameaça eminente.

Devido ao desgaste que os últimos dois filmes sofreram, (principalmente o último), era inevitável que uma evolução na história da personagem Selene e de todos os envolvidos na trama, tivesse que acontecer. As mudanças estão ali, o roteiro de Kyle Ward e Cory Goodman tenta ao máximo evoluir a trama que já estava desgastada, dando um novo frescor na história.

Em quesitos técnicos, a produção não deixa a desejar, entregando o mesmo tom monocromático dos filmes anteriores, o que cai muito bem na atmosfera e na imersão da trama. O mesmo pode ser dito a respeito das cenas de ação, que continuam no mesmo ritmo dos dois primeiros filmes, com um pouco mais de gore e um uso um pouco abusivo de câmera lenta, digamos. Nada contra o uso de slow motion, muito pelo contrário, eu apoio a aplicação da técnica nas produções, e acredito que quando o uso do recurso é bem empregado, ajuda muito no impacto da cena, mas o uso abusivo, deteriora, engana e acaba com a graça do filme.

Agora, mudando para o visual, o filme realmente surpreende em algumas partes, talvez seja a presença da Death Dealer Selene na tela, mas com o tempo se torna um pouco monótono, pois nos vemos sempre nos mesmos ambientes e mesmos espaços, lidando com os mesmos personagens, que resulta numa leve sensação de claustrofobia, nos encontramos confinados naqueles mesmos ambientes e não há nada que possa nos salvar.

O 3D do filme, sendo considerado aqui como um Caça Níquel, não auxilia em absolutamente nada da trama, podendo ser facilmente descartado num estalar de dedos, convertido para o 3D de forma preguiçosa na pós-produção, o filme não possui nenhum senso de profundidade e nenhum efeito 3D que justifique a utilização do formato.

A saga de ‘Anjos da Noite‘ ainda possui potencial, mas não foi dessa vez que conseguiram alcançar uma evolução concreta deste universo de Vampiros e Lycans, porém, temos um grande ápice aqui, a verdadeira e tão prometida guerra/confronto entre essas duas partes realmente acontece, mas não entrega o seu potencial em um todo, no final ainda fica aquela sensação de que algo está faltando.

Mesmo com os lucros de bilheteria a cada estreia, a saga ‘Anjos da Noite‘ ainda é tratada visualmente como uma produção de baixo orçamento com o único propósito de entreter, se os filmes continuarem nesse caminho, sempre serão vistos com esse visual claustrofóbico de 3 cenários, parecendo um novelão das 20h, totalmente sem graça.

6
Bom

O Veredito

  • Nota 6.0

'Anjos da Noite' ganhou uma revigorada na história de seus personagens, possui boas sequências de luta e possui uma bela e atraente personagem principal que não tem medo de levar porrada. Mas infelizmente sofre da mesmice e repetição de cenários, personagens sem profundidade e um péssimo uso de 3D. É apenas um aceitável programa de domingo sem compromisso, um bom entretenimento.

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