Crítica | Spectral (2016)

6 3.566

Spectral Netflix crítica -resenha

Spectral chamou a atenção logo de cara quando apareceu por aqui no início de 2014, quando foi anunciado que o ator James Badge Dale foi contratado como protagonista. A produção ainda estava na fase de montagem do elenco, mas a premissa parecia muito promissora.

O filme supostamente contaria a história de uma tropa de elite do exército em uma missão de resgate, às voltas com um inimigo sobrenatural e vinha sendo descrito como um Falcão Negro Em Perigo encontra Os Caça-Fantasmas. Mas infelizmente eu perdi o contato com a produção e ela, ao menos pra mim, caiu no esquecimento.

Porém em Novembro surgiu a notícia de que a Netflix estava adquirindo a os direitos de distribuição do filme e foi aí que fiquei sabendo que anteriormente a Universal já havia agendado um lançamento para Agosto, mas que em Junho desistiu da idéia e retirou Spectral do calendário de lançamentos

A minha experiência me diz que sempre que uma produção precisa se comparar à outras produções de sucesso, é porque ela não tem capacidade de se sustentar nas próprias qualidades e o histórico conturbado de Spectral era um forte alerta de que a produção tinha sérios problemas.

James Badge Dale é o Dr. Clyne , um brilhante cientista que trabalha em uma empresa que desenvolve soluções para o departamento defesa, porém consciente o bastante para desaprovar o uso de suas criações em seres humanos.

Ele é recrutado até Moldova, mais conhecido no Brasil como Moldávia, um pequeno país do Leste Europeu, onde as forças armadas norte-americanas estão ajudando na transição de governo depois da queda de um regime tirano.

O país está à beira de uma guerra civil e as tropas vêm tendo problemas com as forças fiéis ao governo. Mas alguém, ou alguma coisa além dos rebeldes está matando os soldados norte-americanos e o que quer que seja esta nova ameaça, ela só pode ser vista através de um óculos hiper espectral desenvolvido por Clyne.

À frente das operações estão o General Orland (Bruce Greenwood) e a agente da CIA, Fran (Emily Mortimer), que o colocam à par da situação e praticamente exigem seu parecer sobre o que de fato está de fato acontecendo. Para fazer uma análise mais aprofundada, Clyne é despachado junto com uma tropa de elite em uma missão de resgate liderada pelo Capitão Sessions (Max Martini). Mas é claro que nada sai como planejado. A missão de resgate fica presa atrás das linhas inimigas e a mercê da nova ameaça.

Como já mencionei antes, o filme vinha sido descrito como um Falcão Negro Em Perigo encontra Os Caça-Fantasmas, mas se formos realmente fazer esse tipo de comparação, ao meu ver seria muito mais justo dizer que Spectral é um A Batalha de Los Angeles encontra A Hora Mais Escura, só que sem essa história de invasão alienígena – e a câmera chacoalhante do primeiro.

Embora já tenhamos visto coisas bem similares antes, Spectral tem um visual que impressiona. O diretor estreante Nic Mathieu cria uma atmosfera interessante e tem bons resultados com a utilização do slow motion durante as cenas de ação, que obviamente são o destaque na primeira parte do filme.

Os efeitos visuais são razoavelmente bons desde que não se preste muita atenção aos detalhes. Principalmente no que tange os “espectros”, que tem aquele aspecto emborrachado dos elementos feitos por computador na década de 90.

O elenco composto por alguns nomes bem conhecidos é um dos principais atrativos, mas infelizmente o roteiro insosso não dá profundidade a nenhum dos personagens e o resultado são atuações tão sem graça e clichézudas que farão os cinéfilos levantarem a hipótese de que a atriz Emily Mortimer, por exemplo, deve estar na maior pindaíba financeira. Só assim para ela ter aceito um papel como esse.

O filme segue razoavelmente bem seu curso enquanto filme de ação, mas quando entra em sua reta final Spectral deixa muito a desejar. Mais uma vez o roteiro mostra seus defeitos e o filme se torna praticamente insuportável de aturar. Uma porção de abobrinhas científicas são despejadas de forma abrupta, para que o espectador não tenha muito tempo para pensar nas absurdidades das conclusões, que lhe são praticamente enfiadas goela abaixo.

Spectral nos traz um conjunto de situações tão bisonhas que fica impossível continuar a levar o filme a sério. Hierarquias militares são quebradas com generais dando satisfações como se fossem meros soldados. “MacGyverismos” fantásticos criam em horas, com as “peças disponíveis“, armas lindas e espetaculares e em quantidade suficiente para armar um batalhão inteiro. E isso tudo para nos levar à conclusão mais piegas da floresta.

Spectral entretém, mas é só. É uma produção decente, com um visual muito bacana e repleta de cenas de ação. Mas o espectador que estiver esperando um pouco mais de profundidade certamente irá se decepcionar. O roteiro genérico e insosso mostra bem o porquê do seu cancelamento pela Universal. O filme cumpre seu papel mas deixa aquela certeza de que mais uma boa ideia foi desperdiçada.

5.5
Dá pra ver, mas...

Veredito

Spectral entretém, mas é só. É uma produção decente, com um visual muito bacana e repleta de cenas de ação. Mas o espectador que estiver esperando um pouco mais de profundidade certamente irá se decepcionar. O roteiro genérico e insosso mostra bem o porquê do seu cancelamento pela Universal. O filme cumpre seu papel mas deixa aquela certeza de que viu mais uma boa ideia ser desperdiçada.

  • Nota Geral 5.5

Você também pode se interessar Mais do autor

  • Alessandro Eiras

    É um tipo de filme que você vê uma vez e não quer mais. Como pode aqueles “fantasmas” não poderem passar pela barreira que fizeram no prédio se eles voam, pulam metros de distância? Fora o que já foi dito na critica. Nota 4 pra mim.

  • Léo Pessôa

    Particularmente, eu daria nota entre 7 e 8 para o filme. Estou curtindo a tendência do “cinema” Sci-Fi (filmes/séries/animes etc), em trazer assuntos ou questões reais, cientificamente falando, para as telinhas. Mesmo que não sejam experimentos comprovados de fato, nos fazem aguçar a imaginação e em muitas vezes, pesquisar sobre o assunto. Concordo que muita coisa poderia ser melhor nessa franquia, melhor explorada, melhor explicada, mas digamos que, para um pioneiro no assunto abordado,não me decepcionou, ainda mais com os recursos que tiveram. Tenho a sensação/esperança de que darão continuidade a franquia e que assim possam ganhar um olhar diferenciado dos críticos, isso já aconteceu com outras franquias, como por exemplo, ‘Eclipse Mortal’ e suas “sequências”, que ganharam um bom lugar de destaque nas telonas.

    Enfim, minha opinião em relação ao título e indico, não como “assistível”, mas como uma grande chance de projeção à uma possível franquia.

    Abraço galera!

  • Phillipe Gomes

    Eu discordo da sua critica!
    Apesar do filme ser bastante genérico ( nas cenas de ação) traz uma mensagem importante dita pelo Albert Einstein: “Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras”. Isso é uma critica ao nosso futuro, além de falar do ”condensado de Bose Einstein” é essa nova arma é um ponto interessante no roteiro, já que há o embate entre a parte da ciência que é voltada para fins destrutivos e a que está preocupada em desenvolver meios de melhorar nossa vida no planeta. A parte boa da ciência é representada pelo engenheiro, que acredita no conhecimento como meio de defesa e não de ataque, no universo representado pelo filme.

    • Phillipe, que bom que você gostou do filme. Infelizmente pra mim a mensagem não foi suficiente para eximir o filme da lambança. Especialmente no último terço. É preciso ter em mente que aqui eu tento analisar o filme como um todo e no geral, na minha opinião, Spectral é no máximo “assistível”. Ainda assim, obrigado por expor seu ponto de vista. Assim a galera que vier aqui vai ter mais no que pensar na hora de assistir.

  • MATHEUS

    Não discordo da crítica, mas não deixem de vê o filme por ela. Vale a pena perder quase 2h da vida. Melhor que Independence Day Resurgence, garanto! :]

    • Isso aí, Matheus! Essa é sempre a nossa recomendação! Ver e tirar as próprias conclusões. 😉