Crítica | Resident Evil 6: O Capítulo Final

‘Resident Evil 6: O Capítulo Final’ é uma prazerosa explosão visual que vai envolver o espectador com um ritmo empolgante.

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Lançado há 15 anos atrás, o primeiro filme, Resident Evil surgiu com uma trama simples, claustrofóbica, obscura, infestada de zumbis e muito eficiente.

As sequências começaram a seguir o enredo dos jogos, focando ainda mais na ação e deixando de lado o que realmente interessa: os zumbis. O forte da saga nunca foram os roteiros, e sim, as cenas coreografadas de luta, cuidados técnicos, um ótimo uso do 3D, e claro, Milla Jovovich, que vem interpretando a mesma personagem por tanto tempo, e que por mais que não esteja nos jogos, se tornou icônica por si só, tanto para os haters dos filmes e ainda mais para os fãs da saga.

Com todo esse tempo, é plausível considerar o tempo em que Paul W.S. Anderson conseguiu manter a saga viva até o presente dia, considerando esta maré de azar que assolaram produções recentes como ‘Warcraft’ e até mesmo o mais recente ‘Assassin’s Creed’, onde os próprios envolvidos nestes projetos confessaram não entender nada sobre os jogos ou o material original que trabalharam.

Talvez esta seja a salva de Anderson, que além de ser um fã dos jogos RE, ele também sabe entender e respeitar os arcos dos jogos e isto fica evidente em tela no produto final. Anderson já mostrou ter uma visão completamente diferente de uma adaptação dos jogos para as telas de cinema e este talvez seja o resultado de tanto sucesso que nos levou a esta saga de seis capítulos, onde não é necessário se plagiar uma história de videogame, pegar os mesmos personagens e faze-los reprisar os mesmos atos que se passaram nos jogos, o que, segundo o próprio Anderson, se tornaria cansativo e desinteressante de se ver, assistir um filme onde todo o conteúdo já foi mostrado no jogo.

Dada estas explicações, não fica difícil perceber que temos um só universo, dividido em duas histórias completamente diferentes, e que por incrível que pareça, funciona!

A jornada se inicia após uma breve explicação da história da heroína Alice, que novamente recapitula todos os eventos anteriores dos filmes para não deixar os desavisados à deriva durante o filme.

Alice acorda em uma Washington completamente devastada após os eventos de ‘Resident Evil 5: Retribuição’, onde o que era para se tornar a batalha final da Resistência contra a Umbrella Corporation, culmina em uma traição inesperada em uma emboscada em que provavelmente muitos morreram. Alice recebe ordens da Rainha Vermelha, informando que a Umbrella está preparando um ataque definitivo para os poucos sobreviventes remanescentes na terra e Alice deve impedir este ato retornando para Raccoon City, onde a Umbrella possui uma cura para o vírus-T, em troca, a Rainha Vermelha promete revelar um obscuro segredo da Umbrella Corporation.

Aqui, diferente dos outros filmes da saga, que esbanjam suas belas personagens femininas, lindas, limpas e sem arranhões após enfrentarem duras batalhas (assim como nos jogos), neste, o oposto ocorre, onde a sujeira, o ambiente árido e apocalíptico toma forma. O sangue seco, as roupas rasgadas e sujas ajudam no clima pesado e certeiro neste capítulo, que desde o seu início começa com um estrondo empolgante, que vai envolver o espectador em todo o seu desenrolar.

O roteiro aqui, como de praxe é praticamente inexistente, e é propositalmente bastante fundamentado em roteiros de games, é dada uma missão para o personagem, ele possui um mapa de localização, ele deve enfrentar as mais diversas ameaças e atravessar o caminho até o seu destino final e detonar o vilão/chefão para vencer. E é interessante ver como essa fórmula se encaixa perfeitamente na saga.

Apesar deste detalhe que paira sob os roteiros, é importante sobressaltar que essa decisão de um roteiro raso, sem um background mais aprofundado sobre os personagens, torna a maioria deles um tanto desinteressantes, já que não temos nenhuma informação sobre os mesmos.

Apesar de cometer alguns deslizes com os outros filmes da saga, o roteiro de Anderson se torna aqui, o mais coeso e maduro dos últimos filmes, com espaços até para a citação de passagens bíblicas como uma forma de motivação por parte de seu vilão principal, que, apesar de já termos visto em outros filmes, se mostra bastante interessante dentro da saga.

Apesar dos deslizes, Paul Anderson merece os méritos por ser um dos poucos diretores que sabem justificar a sobretaxa do 3D com excelência. ‘Resident Evil: Recomeço’, ‘Retribuição’ e ‘O Capítulo Final’ são espetáculos visuais que valem o ingresso mais caro, o uso dos óculos 3D e a ida ao IMAX.

A decisão de filmagem do diretor neste último longa foi bastante interessante e ao mesmo tempo arriscada, a câmera nervosa, que treme, chacoalha e corre com os seus personagens, (claramente uma homenagem a Mad Max), transmite a necessidade de urgência da trama, com o uso do 3D bem empregado o longa consegue prender ainda mais a atenção do espectador, um exemplo bem dado é a cena em que Alice está lutando com o Dr. Isaacs em cima de um moderno tanque de guerra da Umbrella, enquanto isso, uma imensa horda de zumbis estão correndo atrás do tanque. A sensação de profundidade em 3D é incrível!

A trilha sonora de Paul Haslinger sempre ligada no 220v, é muito bem conduzida e dá um toque a mais de adrenalina nas cenas de ação, deixo como destaque a cena do corredor de lasers, a trilha sonora nesta cena, é uma das melhores do filme.

O Capítulo Final’ busca retornar as raízes do primeiro filme, com momentos nostálgicos aos fãs dos filmes e também dos jogos (que possuem mente aberta). Retornamos à Colmeia, onde a Umbrella guarda diversas armadilhas para a Resistência e vários planos idênticos aos jogos da Capcom. O filme entrega diversos jump scares, hordas de zumbis, monstros e novas mutações estão presentes para encerrar com chave de ouro uma das adaptações mais polêmicas e que obteve mais êxito no mercado cinematográfico.

Paul Anderson aprendeu cedo que a decisão de não se prender ao material original e criar sua própria mitologia em cima de um personagem inexistente no mundo dos games foi essencial para o sucesso da saga, que contém algumas pitadas bem boladas de elementos dos jogos.

Com tudo isso em jogo, fica difícil não se deixar levar pela aventura, esquecer os velhos hábitos filosóficos dos filmes comuns e pastelões de Hollywood e não conferir o último capítulo da história da heroína Alice, que é o “prazer culposo” de muita gente por aí, assim como diversas outras produções recentes, e essa, por sinal, tem um desfecho bastante satisfatório e com muita ação ininterrupta.

 

7.5
Muito Bom

O Veredito

  • Nota Geral 7.5

'Resident Evil 6: O Capítulo Final' possui uma história interessante e possui cenas de ação e suspense muito bem construídas. Por mais que os jump scares presentes em quase todo o filme não funcionem muito bem, o filme mantém a sua essência e adota um ritmo frenético com muita ação, violência e um bom uso de 3D para os mais exigentes. O ponto mais alto do longa é a conexão da trama com os filmes anteriores, aprofundando o passado da personagem principal ainda mais.

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  • Lucas !

    Crítica excelente, o Paul realmente se superou, as cenas de ação e luta estão magníficas e o suspense finalmente aparece, as revelações e as cenas finais estão de tirar o fôlego! Teve mesmo um final digno para a saga. Esse é o melhor Resident Evil desde O Hóspede Maldito e Apocalipse.

    • Janerson Souza

      aah cara ela devia ter morrido de verdade teria sido mais legal