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A Verdadeira História: The Bye Bye Man e ‘Nunca Diga Seu Nome’

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Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man - Cartaz nacionalEm Janeiro estreia nos Estados Unidos The Bye Bye Man, que no Brasil recebeu o título de Nunca Diga Seu Nome. O filme conta a história de três amigos que se mudam para antiga casa e que descobrem – sempre da pior maneira possível – a respeito de uma entidade sobrenatural sinistra conhecida como The Bye Bye Man.

Os primeiros trailers de Nunca Diga Seu Nome anunciavam que o filme era mais um dos vários ditos baseados em fatos reais e, logo de cara, nós fomos atrás dos tais eventos que supostamente teriam inspirado o filme.

De início não se tinha muita coisa e tudo que sabíamos era que o filme toma como base um conto escrito por Robert Damon Schneck, intitulado The Bridge to Body Island, inicialmente publicado no livro de não-ficção The President’s Vampire: Strange-but-True Tales of the United States of America. Coincidentemente, com o lançamento do filme, o livro passou a se chamar The Bye Bye Man: And Other Strange-but-True Tales.

Schneck é conhecido no meio literário como um historiador de fenômenos estranhos e sobrenaturais e seu livro, The Bye Bye Man (The President’s Vampire), basicamente é uma coletânea de alguns casos documentados e/ou relatados que o autor investiga de forma bem imparcial, apresentando algumas explicações para os eventos e suas possíveis relações com o mundo real.

O Que Diz o Livro:

The President's Vampire: Strange-but-True Tales of the United States of America - Robert Damon SchneckAssim como no filme, The Bridge to Body Island conta a história de três estudantes universitários de Wisconsin que passaram a testemunhar eventos estranhos, depois de brincarem com um tabuleiro Ouija que lhes revelou o nome do personagem título do filme. Um serial killer albino e psíquico que viveu em Louisiana no século 20 conhecido como The Bye Bye Man.

A grande questão é que Schneck abre sua história da seguinte forma:

“Esta história é diferente de todos as outras neste livro.
Primeiro, a fonte é um amigo íntimo… “

Ou seja: Um amigo contou uma história assustadora para o autor que decidiu investigar e escrever uma história a respeito do assunto. Afirmar que é uma história real na verdade é um pouco arriscado e vai depender muito da vontade de acreditar de cada um.

Schneck deixa claro que um rapaz que ele chama de Eli escreveu o relato na terceira pessoa e que ele [Schneck] alterou todos os nomes dos envolvidos.

A História

Centro da cidade de Sun Prairie, WI (crédito: Royalbroil)

Durante o inverno de 1990, na pequena cidade de Sun Prairie, Wisconsin, um estudante universitário chamado Eli recebeu de um amigo de infância um tabuleiro Ouija cujo o rapaz havia encontrado em seu sótão. Eli sempre foi muito interessado pelo sobrenatural, ao ponto de ter estudado parapsicologia e imediatamente se interessou pelo objeto.

Seus dois melhores amigos, Katherine e John, dividiam o mesmo interesse e os três frequentemente visitavam os cemitérios da região e colecionavam histórias locais e lendas urbanas. Portanto, não demorou muito para que os três passassem horas tentando se comunicar com o outro lado através do tabuleiro.

Depois de muitas tentativas fracassadas, finalmente a coisas começaram a acontecer e o tabuleiro começou a se mexer. Os três fizeram contato com várias entidades diferentes e inicialmente as primeiras mensagens eram bem positivas, falando sobre coisas como o amor e pensamentos mais elevados.

Porém os três só podiam se comunicar com os espíritos permitidos por uma entidade principal chamada “O Espírito do Tabuleiro” e eles queriam mais do que isso. O trio queria se comunicar com um espírito de uma pessoa real, que eles pudessem comprovar ter existido, mas eram sempre advertidos pelo “O Espírito do Tabuleiro” de que isso poderia ser muito perigoso.

Independentemente dos alertas eles seguiram em frente e passaram a se comunicar com outras entidades. Depois de um tempo elas os avisaram de que havia uma outra entidade específica que estava tentando entrar contato com eles. Porém ela não só era humana, como também ainda estava viva. Uma entidade que os espíritos não ousavam mencionar o nome.

Katherine ficou muito assustada e os três decidiram não se comunicar com a tal entidade, mas, em vez disso, decidiram extrair dos espíritos a maior quantidade de informações para que eles pudessem pesquisar e confirmar sua existência.

O trio pressionou e em um dado momento todos os espíritos desapareceram, exceto pelo “O Espírito do Tabuleiro” que inicialmente lhes contou algumas coisas bem vagas, mas depois de muita insistência ele acabou revelando tudo que sabia a respeito da entidade que ele chamou de The Bye Bye Man.

The Bye Bye Man

The Bye Bye Man - A Verdadeira História
Foto Promocional: Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man) © STX Entertainment

The Bye Bye Man na verdade não era um espírito, mas sim um homem que nasceu em 1912 em Algiers, Louisiana. Albino e cego de nascença, logo cedo ele foi colocado em um orfanato por seus pais que não podiam cuidar da criança. Ele cresceu na instituição mas fugia frequentemente. Dada sua aparência incomum ele era rapidamente encontrado e devolvido ao orfanato. Quando chegou à adolescência, uma enfermeira tentou impedi-lo de escapar e mais tarde seu corpo foi encontrado rasgado por uma tesoura. Depois disso ele desapareceu e nunca mais se ouviu falar nele.

Logo começaram a circular rumores de um albino cego que aparentemente viajava clandestinamente pelas ferrovias do Sul, uma figura cuja aparição geralmente coincidia com a descoberta de um cadáver mutilado ao lado dos trilhos. O tempo passou e uma lenda surgiu entre as pessoas que viviam e trabalhavam ao longo das ferrovias. Tarde da noite eles contavam sobre a horrenda figura branca vista à luz de fogueiras de moradores de rua, ou através de uma névoa de fumaça em um pátio. Em sua mão pálida e óssea ele carrega um saco cheio de órgãos tirados dos corpos de suas vítimas.

Ele se envolveu com magia negra e se tornou uma espécie de monstro que desenvolveu um nome e se tornou uma figura folclórica, nos mesmo moldes de Candyman.

O The Bye Bye Man começou usar as línguas e olhos de suas vítimas para montar um animal de estimação que passou a agir como seus olhos. O animal emitia um som assim que encontrava uma vítima em potencial e então o homem iria atrás delas.

Em um determinado ponto ele desenvolveu um tipo de telepatia e passou a encontrar suas vítimas de uma maneira diferente. Sempre que alguém pensasse ou se concentrasse em seu nome, ele era capaz de sentir onde a pessoa estava e ia atrás dela.

Aos três inclusive foi revelada uma “receita” que ajudaria o The Bye Bye Man a encontrá-los mais facilmente.

Então Eli perguntou: “Onde o The Bye Bye Man está agora?” E a resposta vinda do tabuleiro foi simplesmente aterradora:

— Em Chicago. Ele está ciente da existência de vocês e está vindo para cá.

Foi aí que Katherine surtou de vez e os três decidiram nunca mais usar o tabuleiro.

Algum Tempo Depois…

Foto Promocional: Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man) © STX Entertainment

Pouco depois de terem deixado o tabuleiro de lado, Katherine e John passaram a acordar no meio da madrugada, sempre às 3h00 da manhã, tomados de uma grande angustia. Porém, pelo que parece, Eli relevou a coincidência creditando à isso o fato de que Katherine sempre sofrera de ataques de pânico e que John havia recentemente trocado de turno em seu emprego.

Uma noite, Eli e Katherine foram à um show em Wausau, Wisconsin e decidiram passar por uma ponte ferroviária que se ligava à uma ilha no meio do Rio Winsconsin, chamada Barker Stewart Island. A ilha também é conhecida como Body Island, por causa dos corpos dos lenhadores que sempre desaguavam em suas margens. No passado muitos deles se afogavam tentando desprender troncos que bloqueavam o rio.

Ponte para Body Island em Wasau, WI (Robert Schneck)

Enquanto passavam pelos trilhos, Eli viu algo que chamou sua atenção e se afastou por alguns instantes. Enquanto ele estava ausente, Katherine ouviu um som estranho. Um apito que ficou mais alto e mais alto. Quando Eli retornou ela estava tendo um verdadeiro ataque de pânico e os dois decidiram voltar.

Naquela mesma noite, John teve problemas para dormir e quando finalmente pegou no sono, foi acordado por uma batida em sua porta com uma voz que dizia: “Vamos John, vamos sair para o café da manhã“, John se levantou e percebeu que estava escuro – era no meio da noite. A batida veio novamente. Paralisado de medo, ele caiu no chão de onde notou duas sombras pela fenda debaixo da porta. Uma alta e uma pequena. Ele ficou lá o resto da noite.

O que teria acontecido se ele tivesse aberto a porta?

Conclusão

Logo depois do relato de Eli, Schneck declara que a história – assim como a grande maioria das histórias desse tipo – não tem uma conclusão satisfatória e lembra que Eli recontou eventos que se passaram há muitos anos e que, portanto, estavam suscetíveis a distorções e lapsos de memória. Schneck inclusive menciona que Eli revelou que John não se lembrava de ter checado a hora exata em que geralmente acordava no meio da noite. Apenas que estava escuro.

Schneck segue verificando alguns fatos e provendo algumas possíveis explicações para os eventos descritos na história, chegando a vincular os crimes atribuídos ao The Bye Bye Man à um serial killer que agiu na região nos anos 30. Mas ele mesmo admite que em alguns pontos não foi tão fundo quanto poderia.

Quanto a Eli, acredita-se que se trata de Elliot Madison, co-fundador da White Crow Society, uma instituição da qual Robert Damon Schneck é diretor e que se dedica a ajudar e a educar pessoas que vivenciaram algum tipo de evento paranormal.

Como já foi dito mais acima, seria arriscado demais afirmar que a história do The Bye Bye Man de fato é real. A crença no relato vai depender muito da vontade de cada um. Mas que a história é de arrepiar, isso é.

  • Luh Almeida

    uma coisa que ainda não fez sentido pra mim… qual o sentido daquela moeda no filme? tipo… antes de ler esse artigo sobre a lenda e tal tava achando que a criatura era inspirada no barqueiro de hades, o trem estaria substituindo o barco e seria a maneira de transportar as almas… faria sentido a moeda… mas essa lenda… qual a conexão daquela bendita moeda? x-x

    • Bem, realmente durante as minhas pesquisas não havia nada sobre as moedas e pra mim ela me pareceram um tipo de teste: se a pessoa pegar a moeda ela será perseguida pelo Bye Bye Man, mas não é isso. A diretora Stacy Title diz que elas são o primeiro sinal de que o Bye Bye Man está perto, mas embora isso seja meio óbvio, a explicação dela não é nada justificável. Segundo ela, as moedas funcionam como os olhos do cachorro. Uma forma dele enxergar sem estar no lugar. Eu prefiro ficar com a minha versão do teste… Rs.

      • Luh Almeida

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkk entendi… faz sentido… mto obg pela explicação :3

        • Marya Cecília

          Eu não entendi a explicação da moeda no filme, mas com essa do Dr. Terror da pra construir uma teoria. Muitas sociedades usam de moedas de ouro pra enterrar seu mortos. No Egito Antigo, as múmias tinham moedas nos olhos e na boca e era uma forma de agradar o deus da morte ou o Caronte, o barqueiro que levava ao mundo dos mortos. o Bye Bye Man pode ser uma espécie de condutor ao contrário e com as moedas avisar as pessoas de que esta chegando…

  • FSociety

    Tem várias lendas urbanas, Homem Mariposa e tal.