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A Verdadeira História: A História Real de Robert C. Hansen

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Frozen Ground é mais um que entra para a vasta lista dos filmes baseados em fatos reais e volta até o início dos anos 80 — mais especificamente em 1983 — para contar a história do detetive Jack Halcombe, em sua caçada atrás de um serial killer que passou despercebido por mais de uma década e que trouxe terror em medo ao gelado estado do Alaska nos Estados Unidos, o caçador Robert Christian Hansen.

O Policial será interpretado por Nicholas Cage e seu personagem é baseado no detetive Glenn Flothe e francamente não sei precisar o porquê da troca de nomes. Provavelmente algo envolvendo direitos de imagem, ou algo do tipo. John Cusack fica com o papel de Hansen, que demonstra uma clara preferência por prostitutas e strippers. Para sua própria infelicidade, ele permite que uma das suas vítimas escape, a prostitua Cindy, interpretada por Vanessa Hudgens. O testemunho de Cindy é amplamente ridicularizado, mas Halcombe acredita que ela poderia ser a chave para resolver o mistério por trás dos corpos de várias jovens que foram encontradas enterradas sob o gelo.

O filme tem se vendido alegando estar ao nível de Seven – Os Sete Pecados Capitais e honestamente eu realmente duvido muito.

Robert Christian Hansen

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Nascido em Pocahontas, Idaho, em 1940, Hansen era o filho de um imigrante dinamarquês, que seguiu os passos de seu pai como um padeiro. Em sua juventude, Hansen era magro e tímido, aflito com uma gagueira e com um caso severo de acne que o deixou permanentemente marcado. (Nos últimos anos, ele recorda de seu rosto como “uma grande espinha”). Evitado pelas meninas atraentes na escola, ele cresceu as odiando e criando fantasias cruéis de vingança.

Hansen se casou em 1961 e se divorciou em menos de um ano, logo após sua primeira prisão sob a acusação de incêndio criminoso. Seis anos depois, ele se casou com outra nativa de Pocahontas e ela o seguiu até Anchorage, Alaska, onde abriu sua própria padaria e prosperou em uma nova terra, seguramente longe das lembranças dolorosas da infância e da adolescência. Hansen teve aulas de vôo e comprou o seu próprio avião particular, ganhando uma reputação de caçador, que vivia ao ar livre perseguindo ovelhas Dahl, lobos, e ursos com seu rifle ou com arco e flecha.

Em 1972, Hansen foi preso mais duas vezes, acusado pelo rapto e tentativa de estupro de uma dona de casa (que escapou de suas garras) e pelo estupro de uma prostituta. Cumprindo menos de seis meses com uma carga reduzida, ele foi pego novamente, pelo furto de uma motoserra, em 1976. Condenado, ele foi sentenciado a cinco anos de prisão, mas a sentença foi anulada em recurso, o Supremo Tribunal do Alaska considerou sua sentença como “muito severa”.

Desconhecido pelas autoridades locais, as atividades visíveis de Hansen eram apenas a ponta de um iceberg. De acordo com sua confissão posterior, Hansen atacava mulheres consistentemente na década entre 1973 e 1983, matando 17 e violentando outras 30 que sobreviveram.

Como alvo, ele selecionava prostitutas, dançarinas exóticas e afins, seqüestrando-as de avião e levando-as para o deserto fora de Anchorage, onde elas eram forçadas a atuar nas fantasias privadas de Hansen. “Se elas se fizessem o que eu queria”, explicou ele, “nós voltariamos para a cidade. Eu dizia a elas que se me causassem qualquer problema, eu tinha contatos que as colocariam na cadeia por prostituição.” Resistência — ou pedidos de pagamento após o sexo — resultaram no assassinato de algumas vítimas, às vezes com um toque macabro. Hansen as despia e as perseguia como animais, matando-as com uma faca de caça ou seu rifle de caça.

Os Primeiros Corpos

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Os corpos começaram a surgir em 1980, quando os trabalhadores de uma construção descobriram os restos de uma mulher, aparentemente devorada por um urso perto de Eklutna Road. As investigações preliminares concluíram que ela havia sido esfaqueada até a morte em 1979, mas o corpo parcialmente devorado e o estado avançado de decomposição não permitiram que ela fosse identificada e acabou apelidada de “Eklutna Annie” pelos policiais designados para trabalhar no caso.

Mais tarde naquele ano, o corpo de Joanna Messina foi encontrado em uma pedreira perto de Seward e uma força-tarefa especial foi organizada para investigar os assassinatos. Assim como no caso anterior, o corpo estava mastigado por ursos e isso comprometeu a investigação, pois não havia como traçar uma relação entre as duas mortes e ambos foram tratados como casos isolados.

O Início do Fim

Com a impunidade veio a segurança e em 1983, Hansen decidiu poupar tempo e energia no que chamaria de seu “projeto verão”. Ele se livrou de sua esposa e seus dois filhos os enviando em uma viagem de férias pela Europa e começou a trazer suas vítimas para sua própria casa. Em seguida, ele começou a publicar anúncios em um jornal local para solteiros, procurando mulheres para “unir-se para encontrar o que está além da próxima curva, ao longo da próxima colina.

No dia 13 de junho de 1983, a prostituta Cindy Paulson surgiu diante de um carro da polícia, com algemas penduradas em um pulso e gritando por socorro. Depois que ela se acalmou, ela guiou os policiais até a casa para a qual havia sido levada. A polícia sabia que a casa era a do padeiro Robert Hansen, um homem que até onde se sabia, era tido como um tipo respeitável. Eles então levaram a menina até o aeroporto, onde ela apontou o avião de Hansen e identificou o padeiro como o homem que a violentou.

Segundo seu relato, ele havia pago US$ 200 pelo sexo oral, mas logo em seguida mudou as regras. Ele então a levou de volta para sua casa, a despiu e a algemou. Cindy foi torturada e estuprada repetidamente por várias horas. Quando Hansen enfim se cansou do jogo, ele ordenou que ela se vestisse. Eles partiram em direção cabana a qual Hansen havia levado outras mulheres “como ela” e no caminho teria lhe dito que, geralmente, as mantinha ali durante uma semana ou mais antes de matá-las. Então a levou em seu carro até o aeroporto privado onde guardava seu avião particular. Ele soltou as algemas para colacá-la no avião, mas em uma manobra ela conseguiu se desvencilhar e fugir.

Poucas horas depois, Hansen foi pego em sua casa. Sob interrogatório, ele parecia gaguejar muito, mas foi capaz de convencer os policiais de que ele não tinha nada a ver com a garota. Ele também tinha dois dos homens mais respeitados em Anchorage como álibi. Em comparação com o testemunho de uma prostituta, tudo parecia muito improvável e a polícia desconsiderou o caso.

Surgem Mais Corpos

Poucos meses depois, alguns caçadores se depararam com um cadáver do sexo feminino em uma cova rasa ao lado do Rio Knik, a poucos quilômetros de Anchorage. Era Sherry Morrow, uma dançarina que estava desaparecida há quase 10 meses. Assim que a descoberta foi feita a polícia começou a se preocupar. Um ano antes, haviam encontrado um cadáver na mesma área. Em seus arquivos eles também tinham mais de uma dúzia de mulheres de “ocupações semelhantes” desaparecidas. A balística verificou e comparou os projéteis dos dois corpos e concluiu que eram de um rifle Ruger Mini-14 calibre .223. Ambos os corpos estavam vestidos, sem buracos de bala nas roupas, o que significava que tinham sido vestidas após a morte.

O Detetive Glenn Flöthe, percebendo que havia um serial killer em suas mãos, entrou em contato com o FBI e pediu a ajuda de Roy Hazelwood, que foi trazido para ajudar na investigação e traçar o perfil psicológico do assassino. Segundo ele, o assassino seria um caçador experiente, com baixa auto-estima, um histórico de rejeição pelas mulheres e se sentia obrigado a manter “lembranças” de seus crimes, como jóias de uma vítima ou até mesmo partes do corpo.

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De posse de um perfil e revendo os arquivos, Flöthe e os investigadores identificaram que Hansen possuía uma propriedade próxima aos locais onde os corpos haviam sido encontrados e conseguiu um mandado de busca para vasculhar sua casa. No dia 27 de outubro de 1983, os policiais entraram na residência do padeiro e lá encontraram jóias pertencentes às vítimas, recortes de jornal sobre os crimes e uma variedade de armas de fogo – incluindo um rifle Mini-14 calibre .223 e um mapa com 20 pontos marcados, sendo que quatro delas coincidiam com os pontos aonde os primeiros corpos haviam sido descobertos. Porém, como já estavam no inverno, não havia como organizar uma busca por causa da grande quantidade de neve e do piso congelado (frozen ground).

Pressionado, Robert Hansen fez um acordo com a polícia e em 18 de Fevereiro, 1984, declarou-se culpado pelas quatro acusações de assassinato em primeiro grau, nos casos de “Eklutna Annie“, Joanna Messina, Sherry Morrow, e Paula Golding. Como parte do acordo as acusações foram retiradas nos outros casos, o que acabou não fazendo diferença, pois Hansen foi sentenciado à prisão perpétua, além de uma pena de 461 anos.

Onze corpos foram recuperados ao longo dos oito meses seguintes. Várias vítimas permaneceram no anonimato, seus nomes ainda eram desconhecidos para Hansen, mas outras foram identificadas como Rox Easland, Lisa Futrell, Andera Altiery, Angela Fetter, Tersa Watson, e DeLynn Frey – todas desaparecidas na região de Anchorage, durante o reinado de terror de Hansen.

Lista de Vítimas

  • Lisa Futrell, 41 (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Malai Larsen, 28 (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Unknown Jane Doe (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Sue Luna, 23 (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Tami Pederson, 20 (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Angela Feddern, 24 (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Teresa Watson (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • DeLynn “Sugar” Frey (confirmado, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Paula Goulding (confirmado, corpo encontrado)
  • Andrea “Fish” Altiery (admitido, corpo encontrado com a ajuda de Hansen)
  • Sherry Morrow, 23 (admitido, corpo encontrado)
  • “Eklutna Annie” (admitido, corpo encontrado)
  • Joanna Messina (admitido, corpo encontrado)
  • Roxanne Easland, 24 (confirmado, corpo não encontrado)
  • Ceilia “Beth” Van Zanten, 17 (negado, suspeito pelo ponto no mapa, corpo encontrado)
  • Megan Emerick, 17 (negado, suspeito pelo ponto no mapa, corpo não encontrado)
  • Mary Thill, 23 (negado, suspeito pelo ponto no mapa, corpo não encontrado)
  • Anônimo

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